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Elas podem ser vistas em quase
todas as esquinas do Centro Histórico, em pontos estratégicos de Salvador e em
todas as festas populares, onde reina o sincretismo. Vestidas a caráter ou
simplesmente de torço e bata, as baianas de acarajé - ícones da cultura
soteropolitana e patrimônio nacional - conquistaram mais do que respeito e
admiração. Venceram as adversidades do centenário ofício e ganharam um dia especialmente
dedicado à valorização da profissão: 25 de novembro, comemorado há 19 anos.
"As baianas são símbolos do
empreendedorismo feminino, em especial, o da mulher negra. São verdadeiras
empresárias de rua", define o secretário municipal da Reparação, Ailton
Ferreira. Ele lembra que, no período da escravidão, muitas compraram a carta de
alforria com os proventos da venda do famoso bolinho de feijão, oferecido até
hoje às divindades, nos rituais do Candomblé, e amplamente consumido na Bahia.
"Temos vários exemplos de guerreiras, como Dinha e Cira, que criaram e educaram
seus filhos graças à comercialização do acarajé. Essas duas, especificamente,
foram mais longe, criando seus reinados e seus espaços de territorialidade.
Hoje são marcas registradas", pontua.
A presidente da Associação das
Baianas de Acarajé, Mingau e Similares da Bahia (Abam), Rita Santos, diz que,
apesar das dificuldades, o setor tem registrado avanços. "Ser tombado como
patrimônio nacional já é uma grande conquista. Além disso, a partir deste ano,
a nossa entidade terá atuação nacional, congregando baianas de vários estados,
como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Pernambuco e o Distrito
Federal", destacou.
Mercado e
profissionalização - Internacionalmente conhecidas
pelo jeito alegre e hospitaleiro, as quituteiras são facilmente identificadas
pela riqueza de detalhes da vestimenta, que vai do torço, bata, pano da costa,
saia rodada, anágua e sandália, até os adereços que incluem as contas do Orixá.
Sobre os desafios diários, a presidente da Abam cita a descaracterização de
algumas profissionais e a concorrência com restaurantes, delicatessens,
padarias e até shoppings, que passaram a explorar o nicho. "É um grande
problema, porque muitas pessoas são acomodadas e não dão tanta importância à
tradição, preferindo ar-condicionado, garçom e cadeira, o que gera uma
concorrência desleal", declarou.
Para amenizar o problema e
melhorar a prestação de serviços dos vendedores e vendedoras de acarajé, a
Prefeitura de Salvador, através da Semur e em parceria com o Sebrae, a Abam e o
Senac, desenvolveu este ano mais um ciclo de capacitação focado no mercado de
trabalho. Em torno dos temas "Boas práticas na manipulação de alimentos",
"Excelência no atendimento ao cliente", "Empreendedorismo", "Empreendedor
Individual" e "Marketing Pessoal", 120 baianas foram capacitadas sobre ações
que evitam riscos de contaminação, os cuidados com a higiene e a temperatura,
entre outras.
Programação - As
comemorações do Dia da Baiana ocorrem desde a última sexta-feira e têm seu
ponto alto nesta quarta-feira (25), com uma missa em Ação de Graças, às 9h, na Igreja Nossa Senhora do
Carmo. Às 11h, elas sairão em cortejo até o Memorial das Baianas, na Cruz
Caída, onde acontecerão um almoço, apresentações culturais e sorteio de
brindes. A programação será encerrada às 20h, com samba de roda de Cachoeira.
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